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Grupo de Estudos - Teoria Marxista da Dependência (2022)

Escrito por: Aline Cristina Fortunato Cruvinel e Júlia May Vendrami


Durante o segundo semestre de 2022, o Grupo de Estudos de Teoria Marxista da Dependência (TMD) se reuniu de modo online, quinzenalmente às terças-feiras à noite, sob a coordenação de Renato Ramos Millis. O grupo acontece desde 2018 e é ligado à Cátedra Teoria Marxista da Dependência e Imperialismo na América Latina (AL), dentro da Escola de Formação Política da Classe Trabalhadora Vânia Bambirra.


Ao longo de 12 encontros, o grupo estudou o livro “Subdesenvolvimento e Revolução” de Ruy Mauro Marini e trechos do livro de Theotônio dos Santos “Socialismo ou Fascismo - O novo caráter da dependência e o dilema latino-americano”.


Publicado em 1969, o livro “Subdesenvolvimento e Revolução” possui quatro capítulos nos quais Marini apresenta uma análise da conjuntura brasileira após o golpe militar de 1964, a partir da Teoria Marxista da Dependência. O autor aponta elementos que contribuíram para a concretização do golpe, como alianças realizadas entre as diferentes classes sociais e equívocos presentes na análise da esquerda, e desenvolve sua argumentação no sentido de trazer considerações para a estratégia do movimento revolucionário brasileiro da época.


De modo geral, Marini apresenta o subdesenvolvimento latino-americano como peça-chave para o sistema capitalista global, entendendo a superexploração do trabalho como uma das expressões da economia dos países subdesenvolvidos. A partir desse entendimento, Marini analisa a dialética do desenvolvimento capitalista brasileiro, de modo a evidenciar a relação entre as especificidades deste e o avanço do imperialismo no Brasil. Assim, ele aborda, por exemplo, alianças, tensões e contradições entre a burguesia agroexportadora, a burguesia industrial e a classe trabalhadora, explicando o rearranjo das forças internas brasileiras que marca esse período.


Marini, frente a esse cenário, analisa o movimento revolucionário brasileiro e compreende o golpe de 1964 como resultado de um processo iniciado ainda na década de 1950 também no interior da esquerda, devido a divergências ideológicas – como questionamentos sobre o papel da burguesia na revolução e sobre o reformismo – e a dificuldades de se estabelecer estratégias de organização efetiva da classe. Em meio às tensões que levam à ruptura da ideologia reformista e à ideia da luta armada como instrumento principal de ação, a ditadura militar se efetiva como um instrumento de avanço da integração imperialista por meio de uma aliança entre os Estados Unidos e o governo brasileiro, consolidando-se um esquema subimperialista. Marini finaliza o livro enfatizando como o trabalho revolucionário brasileiro exige caminhar no sentido de uma revolução em escala latino-americana.


Theotônio dos Santos, por sua vez, aborda o processo de crise e de radicalização política latino-americana a partir de dois polos, tal como indicado no título de seu livro: de um lado, o fascismo como expressão de um modo de sobrevivência do capitalismo latino-americano e, de outro, o socialismo, que adquire cada vez mais uma abrangência continental. Assim, o livro, dividido em cinco partes e inicialmente publicado apenas em espanhol nas décadas de 1960 e 1970, analisa o golpe militar como uma nova etapa do desenvolvimento capitalista, que se dá por meio do aprofundamento da dependência da América Latina através de um projeto de modernização movido pelo capital internacional, este aliado aos capitais locais.


Nesse semestre, o grupo de estudos se concentrou na leitura e debate das duas partes iniciais do livro em questão, intituladas “A nova dependência e a crise latino-americana” e “Grande empresa e capital estrangeiro”. De maneira geral, Theotônio traz uma perspectiva marcada pelo seu campo disciplinar, que é o das Ciências Sociais, de modo a apresentar um entendimento da América Latina diferente daquele comumente encontrado em estudos desenvolvidos por cientistas sociais à época.


Theotônio entende a América Latina como parte integrada à estrutura econômica global e, para aprofundar sua análise, utiliza dados quantitativos, se concentrando em informações relativas ao aumento de investimentos estrangeiros em países latino-americanos, sobretudo no setor industrial. Nesse percurso, o autor descreve como se estabelecem o predomínio da grande empresa, a monopolização do mercado e o crescimento da participação da indústria na economia nacional, acompanhados da concentração financeira e do domínio do capital estrangeiro.


Frente a esse quadro, o grupo se dedicou durante o segundo semestre de 2022 ao estudo de referências basilares da TMD, de modo a aprofundar leituras acerca das obras de Marini e expandir o debate a partir de textos ainda não abordados, como aconteceu com o livro de Theotônio, o qual terá a leitura e debate finalizados ao longo do primeiro semestre de 2023.



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