Grupo de Leitura da “Dialética da Dependência” de Ruy Mauro Marini

Grupo de leitura realizado pela EFop em 05 e 12 de agosto de 2020


O grupo de leitura do livro “Dialética da dependência” escrito por Ruy Mauro Marini, uma obra central da Teoria Marxista da Dependência (TMD), foi mediado por Allan Kenji Seki e foi uma atividade integrante da Cátedra de Teoria Marxista da Dependência e Imperialismo na América Latina (AL).


O grupo foi organizado em dois encontros, no primeiro dia 05/08 o foco das discussões foi a primeira parte do livro com os seguintes itens: 1. A integração ao mercado mundial; 2. O segredo da troca desigual; 3. A superexploração do trabalho; 4. O ciclo do capital na economia dependente. Já no segundo encontro, em 12/08, o foco foram os itens finais: 5. O processo de industrialização; 6. O novo anel da espiral.


Para iniciar a discussão do grupo nos dois encontros foram preparadas sínteses por algum dos integrantes que permitiu resgatar os pontos centrais de cada item do livro e introduzir as questões para o debate. A orientação geral foi de leitura prévia e anotação das questões, incentivando a participação com dúvidas, questões ou discordâncias.


Marini escreve o ensaio que originou o livro em 1973. Introduz suas questões debatendo os equívocos no estudo da dependência na AL que, por dogmatismo ou ecletismo, deixam de compreender que não é falta de capitalismo que caracteriza as especificidades do desenvolvimento nos países dependentes, mas um capitalismo sui generis que só se faz compreensível ao analisar o conjunto do sistema.


Ao retomar o percurso histórico do desenvolvimento do capitalismo, localiza a função que a AL cumpre no mercado mundial e a relação de dependência como relação de subordinação, em que as relações de produção nos países dependentes se modificam para manter a reprodução ampliada da dependência.


A troca desigual e a transferência de valor para os países centrais são compensadas no campo da produção interna nos países dependentes. É nessa dinâmica de transferência de valor aos países de capitalismo central que a se compreende a categoria da superexploração do trabalho. A superexploração como uma forma de compensar a transferência de valor, mesmo que para isso se comprometa a própria reprodução social na periferia. Além disso, a separação entre os ciclos de produção e realização das mercadorias presentes na periferia também são demonstrados por Marini. Fica evidente na explanação que os países não estão no mercado mundial todos iguais, e que não é a partir de mais capitalismo que os países dependentes irão alterar sua condição de dependência.


As discussões abordaram as polêmicas de interpretação da categoria “superexploração” e a possibilidade da utilização dela ou não para os trabalhadores de países centrais. A tese apresentada na discussão é que esta categoria não pode ser usada como adjetivo, mas como categoria para explicar algo próprio, e apenas ganha sentido relacionada a transferência de valor. Mesmo que nos países centrais existam massas de trabalhadores em condições precárias de trabalho a categoria não se aplicaria por não ter relação com a compensação da transferência de valor e cisão entre os ciclos de produção e realização das mercadorias que caracterizam o capitalismo sui generis nos países dependentes. Essas ponderações sobre a categoria não implica em não reconhecer a exploração a que estão submetidos os trabalhadores dos países centrais, mas sim reconhecer as diferenças estruturais que nos colocam diferentes estratégia.


Os participantes também contribuíram trazendo elementos sobre o contexto político do momento em que o livro foi escrito e a militância de seu autor. Foi abordado o papel do texto de Marini no combate a teses desenvolvimentistas e da Cepal. Foram feitas questões sobre a posição do PCB em relação a tese de revolução burguesa no Brasil e foi possível trocas de referências entre os participantes. Além disso foram trazidas discussões sobre burguesia de serviços e capital financeiro.


O grupo de leitura abriu possibilidades de compreensão e debate de interpretações desta obra significativa para a compreensão do capitalismo dependente. Deve fortalecer os debates relativos a TMD que terão continuidade em outras atividades da escola.





Você pode acessar o texto debatido no Grupo de leitura na biblioteca da EFoP.

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