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Guia de Leitura #6 O Pensamento de Lênin, de Henri Lefebvre

17 de abr. de 2022
5 min de leitura

O Pensamento de Lênin,

de Henri Lefebvre


A escolha do sexto livro do Clube do Livro a Esquerda buscou dar continuidade aos debates realizados a partir da obra de Milton Santos. O livro "O Pensamento de Lênin" foi publicado originalmente na França, em 1957, como parte de uma coleção sobre grandes pensadores. Henri Lefebvre foi convidado a escrever sobre Marx e Lênin, devido aos seus amplos e densos estudos sobre Marx e a continuidade do seu pensamento.

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Henri Lefebvre é mais conhecido por seu conceito de Direito à Cidade, que dá nome a um de seus livros. Estudioso profundo da produção do espaço urbano, influenciou diversos autores contemporâneos do Urbanismo e da Geografia, como David Harvey e Milton Santos. Lefebvre foi um grande proponente de um resgate da dialética como método para estudar a realidade e, se contrapondo às leituras mecanicistas da história, recuperou em sua teoria o papel do sujeito na revolução social e urbana.


O livro “O Pensamento de Lênin” contém as reflexões de Henri Lefebvre sobre o gênio político e filosófico do revolucionário bolchevique. Lênin, líder da Revolução de Outubro na Rússia, também foi um teórico de grande estatura, colocando na ordem do dia o debate sobre o imperialismo, fundamental para traçar um projeto revolucionário nas circunstâncias específicas dos países subdesenvolvidos.

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A obra pode ser dividida em quatro partes. A primeira inclui o prefácio, um capítulo sobre as condições históricas do leninismo e um capítulo sobre a vida de Lênin. As seguintes abordam com mais profundidade o pensamento filosófico de Lênin, o pensamento econômico de Lênin e o pensamento político de Lênin. Lefebvre alerta que esta não é uma biografia de Lênin. Segundo o autor, o livro se propõe a resumir o leninismo, sendo pensado tanto para quem já tem conhecimento sobre a obra do revolucionário russo, como para quem não o conhece ou nem mesmo se informou sobre Marx e o marxismo.

Antonio Carlos Mazzeo escreveu a orelha do livro e destacou que apesar de Lênin ser lido por muitos como um militante prático da revolução, sua volumosa obra mostra a densidade de um dirigente que nunca foi um revolucionário rotineiro. Ao contrário: integrou o seleto grupo de intelectuais de práxis do movimento revolucionário, empenhados em dar “respostas concretas para situações concretas” em seu tempo.

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Henri Lefebvre não somente acentuou esse elemento fundamental do pensamento lenineano como organizou este livro fundamental, com o objetivo de divulgar com qualidade e, ao mesmo tempo, situar histórica e politicamente o papel do maior revolucionário do século XX. Lefebvre sistematiza com clareza os fundamentos do pensamento de práxis de Lênin. Didaticamente, Lefebvre discorre sobre os principais aspectos e elementos centrais componentes do pensamento de Lênin.


Sobre o autor Henri Lefebvre (1901-1991) foi um filósofo marxista e sociólogo francês. Estudou filosofia na Universidade de Paris, onde se graduou em 1920. Aderiu ao partido comunista francês em 1928 e participou da resistência francesa ao nazismo. Foi responsável por cunhar o termo “direito à cidade”, com o qual defendia que a classe trabalhadora deveria ter acesso à vida urbana, conceito este desenvolvido em livro homônimo. A obra de Henri Lefebvre é bastante extensa (escreveu mais de 70 livros), abrangendo análises do marxismo no século XX à luz dos textos do próprio Marx, e mantendo intenso debate com grandes filósofos da época. ​ Segundo José Paulo Netto, para o Blog da Boitempo:


“A imensa bibliografia de Lefebvre (quero crer que ele está entre os autores marxistas que mais escreveram e publicaram) não registra somente títulos de indiscutível relevância, como aqueles referidos à crítica da vida cotidiana, à pesquisa sociológica no meio rural, ao fenômeno urbano, à exegese filosófica, à polêmica com diversas correntes teóricas (como o estruturalismo dos anos 1960) e à análise de conjunturas histórico-políticas determinadas (a Comuna de Paris, a irrupção de maio de 1968). Registra também intervenções de pouco fôlego (como a sua crítica ao existencialismo, de 1946, o seu livrinho sobre estética, de 1953, ou as suas reflexões sobre a “psicologia das classes sociais”, apresentadas no conhecido Traité de sociologie dirigido por G. Gurvitch, de 1960), superficiais (como a sua apreciação dos “problemas atuais do marxismo”, de 1958, a sua visão da “sociologia” de Marx, de 1965, ou o seu “manifesto diferencialista”, de 1970) e mesmo tão pretensiosas quanto mais esboçadas que elaboradas (como o seu tratado sobre o Estado, de 1976). Para ser curto e grosso: a obra de Lefebvre, como a da maioria dos polígrafos, é muito desigual, incluindo segmentos brilhantes e páginas anódinas – no entanto, os primeiros ultrapassam largamente as últimas. Por isto, não é possível pensar o marxismo do século XX sem considerar a contribuição ímpar da sua inteligência e do seu talento."

​ Apesar da vasta obra, no Brasil são raras as publicações do filósofo. Em língua portuguesa há em torno de um terço de suas obras - em grande parte anteriores à década de 1970. A última tradução foi feita pela Lavrapalavra Editorial e trata-se justamente da obra O pensamento de Lênin, que foi publicada em 2020.

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Texto relacionado

Como complemento à leitura deste mês, compartilhamos um texto em homenagem a 151 de Lênin, publicado no Jornal Universidade à Esquerda, por José Braga.

Lenin, 151 anos, de José Braga.


Obras sugeridas


Como sugestão de continuidade do estudo, selecionamos os seguintes materiais:

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Henri Lefebvre. O Direito à Cidade.

Para um estudo mais abrangente da obra de Henri Lefebvre, recomendamos a leitura de seu livro mais famoso, no qual articula o conceito de Direito à Cidade, bastante utilizado por pesquisadores e movimentos sociais no Brasil e no mundo. O livro foi publicado por diferentes editoras, como Centauro e Nebli.

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Vladimir Lênin, O que fazer? Questões candentes de nosso movimento.

Também recomendamos um estudo mais aprofundado da obra de Lênin, através da leitura dos livros escritos pelo revolucionário. “O que fazer” é um esforço prático de resposta aos principais problemas da social-democracia da época, sobretudo a relação entre a espontaneidade das massas e a vanguarda do partido, além da importância da teoria política para o movimento revolucionário, sintetizada em sua célebre frase: “Sem teoria revolucionária, não pode haver movimento revolucionário”.

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Patrimônio público, urbanismo e sanha capitalista. Debate com Cláudio Ribeiro e Sara Granemann organizado pela EFoP Vânia Bambirra.

O debate sobre conflitos urbanos organizado pela EFoP dialoga com a obra desse mês à medida que articula as críticas e enfrentamento ao sistema capitalista com o debate sobre os conflitos urbanos e a cidade. Cláudio Rezende Ribeiro é professor da FAU-UFRJ (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) onde atua com ensino de urbanismo, meio ambiente e história da cidade na graduação e no Programa de Pós-graduação em Urbanismo – PROURB/FAU/UFRJ. Foi presidente de seção sindical do Andes-SN na UFRJ, a Adufrj-ssind de 2013 a 2015, e integrou a a diretoria nacional deste sindicato de 2016 a 2018. Acredita que a cidade só se realiza no conflito. Sara Granemann é professora de Economia Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Autora de rigorosa crítica e inovadora tese sobre a segurança social e os fundos de pensões. Docente na Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense de 1991/1994. Docente na Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1994. De tradição marxista, estuda Estado e políticas sociais; Previdência pública e privada; e Serviço Social.


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